Natalie Witte - Strong-up: porque start é só o primeiro passo


Startups são empresas em fase de implantação. Depois de lidar com mais de 160 empreendedores e investidores focados na primeira infância das empresas, resolvi criar um conceito que chamei de “strong-up - fortalecimento de start-ups”. Por quê? Simples: porque começar é importante mas crescer de forma planejada e sustentável é fundamental!

Na fase de fortalecimento, é preciso validar a força da proposta de valor, entender a fundo as dores e necessidades (financeiras ou não) do crescimento e desenvolver mecanismos de acompanhamento que permitam corrigir rumos com a maior agilidade possível.

Dividi então o ciclo de fortalecimento de start-ups em 5 etapas:

1) Da ideia ao primeiro real

2) Do primeiro real ao primeiro ano

3) Do primeiro ano ao primeiro milhão

4) Crescimento sólido e sustentável

5) Crescimento exponencial - scale-up

Nem todas as empresas passam por todas as etapas e algumas chegam a ter um crescimento tão rápido que acabam por crescer exponencialmente no primeiro ano, misturando todas as etapas, bagunçando o modelo. Nesses casos, o desafio é garantir que o crescimento acelerado se torne sustentável.

"Da ideia ao primeiro real" - os 5 primeiros passos

1. Analisar o mercado

Você já pesquisou o mercado? Essa é a primeira pergunta que eu faço a um empreendedor que apresenta a sua ideia. Parece óbvia, até um pouco ingênua; mas  posso garantir que é absolutamente fundamental. De cada 10 start-ups, apenas duas sobrevivem. Segundo um estudo feito pela CBInsights, o principal motivo é que simplesmente não há interesse para boa parte das soluções apresentadas ao mercado pelas start-ups. É preciso saber se o mercado existe e se ele tem porte para absorver a sua empresa hoje e quando ela atingir plenamente seu potencial.

2. Conhecer a fundo o seu público

Então, você já viu que esse é um problema… Perfeito! Sim, e existem clientes potenciais ávidos pelo que você tem oferecer? Agora, quem são esses clientes? Qual o seu perfil, poder de compra…? Você está fazendo algo pensando nos seus próprios interesses ou no de pessoas à sua volta ou conseguiu de fato entender seu cliente potencial, seus interesses, necessidades, demandas, desejos, vontades e, talvez ainda mais importante, seus medos, pontos de resistência, frustrações, dores... ?

3. Aprender com erros e acertos dos que já tentaram

E seus concorrentes? Muitos empreendedores me falam com orgulho que não têm concorrentes, "nada igual no mercado". Isso pode ser positivo, caso você realmente tenha conseguido criar algo totalmente inovador (o que é MUITO difícil). Mas também pode ser muito negativo, mostrando que a questão anterior à sua ideia não era falta de oferta e, sim, falta de demanda pela sua solução. Nesse ponto, um trabalho de benchmarking é indispensável. O sucesso normalmente vem para quem consegue fazer melhor algo que já é feito. É importante frisar que, muitas vezes, "melhor" não precisa necessariamente passar por uma oferta maior ou mais sofisticada. Pode ser mais tornar algo mais simples e acessível.

4. "Show me the money"

A segunda razão para a quebra precoce de start-ups é a falta de recursos financeiros. Sem dinheiro, não rola! E o dinheiro vem do modelo de negócio que deve gerar modelos de receita consistentes e sustentáveis ao longo do tempo. Assinatura é um  bom exemplo de gerador de caixa recorrente e bem interessante. Mas nem todos os negócios comportam assinaturas e nem sempre - na verdade, quase nunca - elas são suficientes para garantir o crescimento saudável da empresa.

5. Paixão e dedicação

A rigor, essa deveria ser a primeira pergunta. Mas como é subjetiva, tento entender, a partir do grau de profundidade com que o empreendedor chega para conversar comigo, se estamos diante de alguém que encontrou a materialização do seu propósito. Se não for assim, não é impossível chegar lá, mas vai ser muito, muito mais difícil. Se você não estiver totalmente casado com a sua ideia, a sua empresa, provavelmente vai faltar fôlego no meio do caminho para lidar com todas as dificuldades, que não costumam ser desprezíveis.

Respondidas essas cinco questões, já dá para saber se estamos apenas diante de uma ideia diferente ou realmente de um projeto de vida feito para vingar. Na linha de "errar rapidamente", muitos dos empreendedores que mais me agradeceram pelos conselhos foram aqueles aos quais eu consegui mostrar que o negócio tinha uma falha de origem e que eles não deveriam seguir - pelo menos não da forma como estavam projetando.

***

Nas próximas semanas, avançaremos por todas etapas do Strong-up.  Sinta-se à vontade de compartilhar comigo qualquer dúvida ou comentário que tenha. Estou aqui para isso.

Com mais de 12 anos de experiência como assessora jurídica para empresas de tecnologia e precursoras no mundo das Startups, Natalie Witte é especialista em societário, M&A e Business Negotiation. Hoje empreende o seu vasto conhecimento através de uma consultoria que assessora Startups e Investidores Anjo, nos diversos momentos de crescimento, além de ser mentora dos programas de aceleração do Plataforma.Space, da Shell Iniciativa Jovem, e do Founder Institute. Foi ganhadora do Startup Awards, o Oscar do Empreendedorismo, como Melhor Assessoria Jurídica de 2016, e é membro da Comissão da OAB/RJ de Aspectos Jurídicos do Empreendedorismo e das Startups.
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