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O que é Burn Rate?


Recentemente, nós escrevemos sobre a importância de saber exatamente onde o dinheiro recebido em um aporte será reinvestido. A necessidade disto se dá justamente pela obrigação que nós, empreendedores, temos de saber lidar com os recursos que podem salvar, alavancar ou afundar nossos negócios. O objetivo sempre é evitar ao máximo chegar a um estágio avançado de Burn Rate – que aponta a velocidade em que a conta bancária dos empreendedores ou empresas diminui.

Quando falamos deste fenômeno, o Dinheirama esclarece que existem dois tipos de Burn Rate: o bruto, que é o gasto total da empresa no mês; e o líquido – mais usado – que é o valor perdido no período. Na prática, digamos que a empresa tinha R$ 1 mi em caixa no dia 1º de janeiro e que agora, em 1º de junho, havia apenas R$ 500 mil sobrando na sua conta. Seu Burn Rate, portanto, é (R$ 1mi – R$ 500 mil)/5, ou R$ 100 mil/mês.

Quando aplicamos essa realidade ao nosso ecossistema, o Dinheirama continua a apontar para a realidade de que muitos projetos operam com caixa negativo, tendo seu verdadeiro business na valorização de sua marca e ambicionando uma venda futura. Funciona mais ou menos assim: uma empresa com alto impacto investe em crescimento (seja em equipe, marketing, ferramentas etc) mais do que recebe de seus clientes. O objetivo é alcançar uma fatia maior do mercado se inflar o valuation, atraindo os olhos de investidores. Empresas que operam assim, muitas vezes, acabam por ambicionar sempre fechar os cálculos no negativo, já que o positivo representa uma diminuição no crescimento.

Nessa lógica, o Burn Rate acontece de outra forma: se calcula quando a empresa precisará de um novo aporte, considerando o valor que se tem até o momento e os investimentos que farão o caixa diminuir. Ter essa consciência é justamente o que pode atrair os olhares dos investidores que procuram este tipo de negócios.

No entanto, o conceito de Burn Rate precisa ser aplicado de diferentes formas em diferentes estágios de cada startup. Um projeto em estágio inicial tem muito mais incertezas do que aqueles que já tracionaram e conquistaram parte do mercado: enquanto os últimos se preocupam apenas em crescer, o primeiro se preocupa em sobreviver a fase de testes para então se consolidar e inflar verdadeiramente.

Em todos os casos, é fundamental saber calcular de que forma o Burn Rate impactará a vida da startup e de que forma ele deve ser encarado: quanto mais crescimento e menos dinheiro no caixa melhor? Ou, quanto mais elevado o resultado dos cálculos de lucros reais mais perto se está do objetivo do negócio?

De forma reduzida, o investidor João Kepler aponta o Burn Rate como o valor gasto por mês para bancar a operação do negócio, podendo servir para calcular o tempo que vai levar até o negócio se pagar, até atingir o break-even ou mesmo se tornar rentável.

A gringa Investopedia nos convida a um outro exercício:

Gross Burn vs. Net Burn

Existem dois tipos de taxas de queima: net burn e gross burn. A queima bruta (gross burn) de uma empresa é o valor total de custos operacionais incorridos em despesas a cada mês. A queima líquida (net burn) de uma empresa é a quantidade total de dinheiro que uma empresa perde a cada mês.

Assim, se uma startup de tecnologia gasta US $ 5.000 mensais em escritórios, US $ 10.000 em custos mensais com servidores e US $ 15.000 em salários e salários para seus engenheiros, sua taxa bruta de queima seria de US $ 30.000. No entanto, se a empresa já estivesse produzindo receita, sua queima líquida seria diferente. Mesmo que a empresa trabalhe com prejuízo, com receitas de US $ 20.000 por mês e custos de mercadorias vendidas (COGS) de US $ 10.000, ainda assim funcionaria para reduzir sua queima total. Nesse cenário, a queima líquida da empresa seria de US $ 20.000. Ou seja, US $ 30.000 menos os US $ 10.000 de lucros com os produtos comercializados.

Esta é uma distinção muito importante, porque afeta a quantidade de dinheiro que uma empresa tem no banco e, portanto, sua pista financeira. Mesmo que esteja gastando US $ 30.000 brutos, a quantia real perdida por mês é de US $ 20.000. Isso significa, por exemplo, que se tivesse US $ 100.000 no banco, sua pista seria de cinco meses em vez de cerca de três meses. Isso dita a maneira pela qual os gerentes delineiam a estratégia da empresa e o valor que um investidor gostaria de investir na empresa.

No entanto, quando a taxa de queima começa a exceder as previsões de queima, ou a receita não atende às expectativas, o recurso usual é reduzir a taxa de queima, independentemente do dinheiro no banco. Isso normalmente significa reduzir a equipe.

Faz sentido, né?

Podemos reduzir o conceito ao seguinte: o Burn Rate representa as movimentações negativas no caixa da empresa, tendo seus efeitos balanceados e amenizados ou não os mediante às receitas que costumam entrar no caixa.

Assim, tudo depende do tipo de negócio: se o objetivo é lucrar e crescer a empresa através dos resultados, é importante manter o caixa no azul, balanceando todos os gastos internos. Se o intuito é inflar em escala, independente dos gastos, para ocasionar uma venda futura da empresa, talvez seja importante que a queima de recursos seja maior (seja em equipe, equipamentos, marketing etc). No entanto, em ambos os casos é preciso calcular os riscos e usar o dinheiro com prudência. Afinal, todos os investidores - sobretudo os de capital de risco - estão atentos a essa realidade.

O StartZero é um manifesto em favor do empreendedorismo de inovação. Nós buscamos a revolução na base. Queremos colocar em evidência projetos que mudarão o futuro nos próximos anos e soluções que já estão transformando mercados agora.

Nossa missão é dar destaque para o mercado mais importante da Nova Economia. No entanto, direcionamos nossos holofotes para a parcela dele que não recebe o destaque merecido. Por isso, noticiamos projetos jovens capazes de se adaptar a realidade dos negócios, visando transformar o mundo em que vivemos.

Conosco, uma série de mantenedores acreditam neste ideal. Com eles, nós oferecemos a base e a vitrine necessárias para que jovens empreendedores se tornem conhecidos no mercado independente do estágio de sua startup. Com esse propósito, poderemos tirar grandes projetos do anonimato e, como consequência, mudar o rumo tradicional das coisas.

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