Tenha seu plano – para você, ele certamente será o melhor

O processo criativo tem um método, e como parte deste método, pode se inspirar em diversas fontes, se tornando por definição não-criativo. Muita gente dirá que isso não é verdade, que seu processo de criação é totalmente livre, mas poucos são os que não fazem uma pesquisa e uma análise do mercado antes de desenvolver algo.

Mas isso é necessário, é uma tática inteligente. Sem dúvida, só que é também um método não-criativo. Não estamos aqui dizendo que você não deve fazer uma pesquisa antes de sair gastando o seu capital em produtos que não tem a menor ideia de como vão ser recebidos pelas pessoas. Todo mundo faz pesquisas de mercado e você deve também.

Porém acontece logo depois de tais pesquisas um erro muito comum que quase todo mundo comete, que é ter a expectativa de que se você copiar e emular um sistema que já funciona para uma marca, você terá o mesmo sucesso que essa marca tem. Isso é uma falsa premissa.

Não é porque um modelo funciona muito bem para uma marca que sempre vai funcionar, até porque cada marca tem um DNA único e um público também bastante singular.

Tomemos um exemplo de uma grande empresa: a pouco tempo atrás o YouTube decidiu mudar o seu sistema de subscriptions, adicionando conteúdo exclusivo para assinantes (como faz o Netflix) e cobrando pelo consumo destes e do restante de materiais, gratuitos, só que sem anúncios (como faz o Spotify).

Pois a ideia não durou muito tempo, a plataforma já anunciou que vai liberar o conteúdo fechado com anúncios para o público geral. O jornal USA Today avaliou essa posição do YouTube como um sinal de que as pessoas já estavam fartas do sistema de assinaturas.

A posição do jornal é um pouco exacerbada, afinal o modelo de assinaturas continua funcionando muito bem para várias grandes plataformas, como o próprio Netflix e o Spotify por exemplo. As pessoas ainda estão dispostas a pagar por conteúdo de qualidade. Por que então não funcionou para o YouTube?

A resposta é: emular modelos não é uma real estratégia para criação de novos produtos

Simplesmente querer uma fatia daquele mercado que deu tanto certo não é um motivo para copiar o modelo. Cada espaço que uma marca ocupa, principalmente marcas sedimentadas já no mercado, é único.

As pessoas não iam querer pagar pelo YouTube, plataforma que no imaginário delas já está associada a ser gratuita e de conteúdos menos densos e trabalhados. O caso do Netflix é diferente porque foi pago desde o primeiro dia, e logo fundamentou sua marca para ser associada com a produção de complexas produções de alta qualidade, que justificavam o pagamento de uma mensalidade.

 

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Por que então as empresas fazem isso? Porque é mais fácil!

Mas essa premissa também não é verdadeira, além de potencialmente perigosa. Uma visão mais simplista diria que utilizar um modelo que já existe seria menos arriscado, mas muitas vezes é inclusive mais.

Isso acontece justamente por não ter sido você que desenvolveu esta ideia, ou seja, não foi desenhado para a sua empresa e nem para o seu público. Sem contar que muitas vezes não é tão simples medir o sucesso de uma empresa dentre tudo que ela faz, já pensou que triste se um concorrente do Netflix tentasse roubar o lugar dele roubando a ideia da série que na verdade não teve muita audiência?

Só a empresa que criou aquele produto sabe o que foi sucesso e o que não foi nele, assim como isso é fato para os produtos e serviços que você criou para a sua empresa. Enquanto uma equipe de inovação gasta tempo emulando uma ideia de outra empresa, ela deixa de trabalhar na melhora do seu próprio produto, perdendo oportunidades de crescimento e podendo até prejudicar sua fatia de mercado por negligenciar a especificidade do que ela espera para esta empresa e produto.

Entenda como utilizar o código que te define

Quando falamos sobre o DNA de uma marca ou empresa, sabemos que se trata de uma metáfora, mas não imaginamos quão próxima da realidade ela é. A visão comum do que é DNA é: aquilo que é único para o seu dono. Mas na verdade o conceito de DNA, na biologia, é muito mais amplo.

Entendermos este conceito biológico pode nos ajudar a aplicá-lo com mais plenitude no universo de nossa empresa e nossos negócios. O DNA é quase como um guia de instruções para o funcionamento de um organismo, para construí-lo, desenvolvê-lo e mantê-lo é necessária uma análise intrínseca, em olhar para dentro do produto e da própria corporação.

O DNA de uma empresa é algo que deve ser criado do cerne da própria corporação, é algo particular que não deve ser influenciado por meios externos. As pesquisas para criação de um DNA devem ser feitas internamente, avaliando os valores da corporação desde sua fundação.

O processo de massificação da criatividade é algo que pode atrapalhar na criação dessa identidade, a obrigatoriedade de seguir um método correto ou um ponto de partida guiado por elementos externos, vão exatamente na contramão do criar.

Ou seja, pensar que o DNA de uma empresa é apenas a sua cultura ou forma de pensar ignora alguns fatores importantes, como por exemplo: o DNA está presente desde o início de tudo, sem ele a empresa não teria existido nem um dia.

Assim como na biologia, o DNA de uma empresa não muda com o tempo ou com o desenvolvimento desta organização, ele deve servir como base para alavancar seu crescimento sem perder a essência do negócio.

O DNA é mais que a identidade da empresa, deve ser algo que traga significado para a marca e para seus colaboradores, um grande exemplo disso é como na biologia em que organismos não funcionam apenas com o seu próprio DNA, mas como uma combinação deles com o ambiente ao seu redor.

Sabe-se então que o processo de criação do DNA não pode ser copiado de nenhuma outra corporação, pois cada empresa possuí em si sua identidade imutável, mesmo possuindo elementos diversos eles nunca serão iguais há nenhuma outra em sua essência.

Para que servem então as pesquisas, os encontros de trocas de ideias? Para inspirar, para provocar, para ajudar a entender os fatores de diferenciação e as boas práticas na resolução de problemas. Use todo conhecimento de mercado que adquirir como base do tempero do seu próprio DNA.

O StartZero é um manifesto em favor do empreendedorismo de inovação. Nós buscamos a revolução na base. Queremos colocar em evidência projetos que mudarão o futuro nos próximos anos e soluções que já estão transformando mercados agora.

Nossa missão é dar destaque para o mercado mais importante da Nova Economia. No entanto, direcionamos nossos holofotes para a parcela dele que não recebe o destaque merecido. Por isso, noticiamos projetos jovens capazes de se adaptar a realidade dos negócios, visando transformar o mundo em que vivemos.

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